Em relação aos Sem Terras, você é Invacionista ou Ocupacionista

Uma análise sobre os Sem Terras, sob a perspectiva de Rousseau

EDEVANIO
Opinião com Edevânio Arceno

 Introdução

      Primeiramente  antes de fazer Uma análise sobre Sem Terra, sob a perspectiva de Rousseau, quero esclarecer que por muito tempo tenho protelado em participar do site Garuvanet como autor de artigos de opinião. Mesmo tendo vários artigos publicados nos tradicionais jornais desde 1991 e de ter várias publicações na internet, através de Blogs e sites de discussões. A principal razão desta resistência, é porque faço parte da equipe do referido site, e alguns podem associar a opinião do site com a minha. Então só para esclarecer, peço respeitosamente para que nossos leitores façam esta distinção, esta coluna é opinião do Edevânio e não do Garuvanet.

        Iniciaremos esta coluna, agora se reportando na terceira pessoa, mas não esqueça a introdução, falando sobre um assunto que divide muitas opiniões e gera muitos debates, afinal, mesmo que inconscientemente, todos queremos ter razão. Nossa cidade está sendo alvo de muitas discussões em virtude da chegada dos membros do MST- Movimento dos Sem Terra, que desde a manhã de 10 de abril, “Ocuparam” ou “Invadiram” a fazenda Ouro Verde, localizada às margens da Rodovia SC 417, próximo da divisa entre os Estados de Santa Catarina e Paraná.

Os argumentos

       Os “Ocupacionistas”, defendem que a ação dos Sem terra é legítima, e se utilizam de base em seus debates, temas como desigualdade e justiça social, domínio de oligarquias, a eterna luta entre proprietários e proletariados, Estado imparcial, enfim, uma infinidade de argumentos para legitimar as ações do movimento.

   Os “Invacionistas”, discordam, como diria o ex-Senador José Dirceu, “peremptoriamente” de tais argumentos, alegando que o Direito à propriedade é a maior das razões para identificar a ilegitimidade do movimento. Defendem ainda que os denominados “Sem Terras”, não são trabalhadores injustiçados, mas sim aproveitadores e espertalhões, que se escondem atrás de questões como a má distribuição de renda para substânciar suas ações ilegais.

       Acreditamos que mesmo sem ter muito conhecimento de causa, você se inseriu e se identificou com um dos grupos. Pois bem, como esta coluna se intitulou opinião, não vou ficar em cima do muro. Mesmo sendo sabedores de que seremos replicados, não podemos deixar de expressar nosso pensamento em relação ao tema.

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A difícil arte da análise

      Antes de mais nada, é importante salientar que ao analisar um fato tão complexo, precisamos nos esvaziar de qualquer pré-conceito que adquirimos através das subjetividades e contextos sociais. Precisamos nos esforçar o máximo para que nossas convicções políticas, religiosas e sociais, não interfiram em nossa reflexão. É difícil, mas vamos lá.

      A sociedade se constituiu em uma associação, onde o bem da maioria prevalece, independente de qualquer razão. O iluminista do século XVIII, Jean Jacques Rousseau, declara em sua obra o contrato, que para vivermos em sociedade, é preciso abrir mão das nossas vontades individuais, afim de que seja primado o bem estar da maioria, e para certificar que isso ocorra de fato, precisamos escolher alguém para mediar e garantir esta máxima. Então assinamos um Contrato Social, onde nos submetemos em prol da maioria.

        Diante disso, podemos afirmar que o nosso contrato social é assinado a partir do nascimento, e que cabe ao governante administrar estas questões buscando sempre o bem maior. Dessa forma, entendemos que, por mais que este governante nos decepcione e cometa injustiças sob a nossa perspectivas, ele só estará errado, quando fizer isso com a maioria e não com determinados segmentos. Portanto o nosso Contrato Social, nos imputa certas regras tanto sociais como legais, que precisamos respeita-las para que o Bem de todos prevaleça.

O contrato social vigente

         Na constituição brasileira, em seu art. Nº 5, declara que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade…] Pode ser um grande engodo, mas enquanto a maioria estiver sendo contemplada, o contrato continua valendo. O direito a propriedade, que alguns não tem, não pode constrangir o direito à propriedade da maioria. Por este ponto de vista, não vejo legitimidade nas invasões coordenadas pelo MST em propriedades alheias.

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         Alguns neste momento da leitura, estão de queixo caído, pois não esperavam esta posição, afinal, sou professor de História, que teoricamente conhece o contexto social da luta pela reforma agrária, e mimimi e mimimi. Lembrem-se que eu avisei que temos que nos esvaziar de pré-conceitos, para analisar de forma lógica. No curso de História, aprendemos que existem vários pontos de vista para determinados fatos, mas também entendemos que a maior prova sobre qualquer fato são os documentos, assim voltamos ao contrato social.

Conclusão

       A constituição, o código penal e outros livros de regras, legalmente respaldado, nos dão absoluta tranquilidade para defender nossa opinião. Você deve estar se perguntando: A questão social professor, como fica? Reconheço que temos graves problemas sociais, como os Sem camisas, Sem casas, Sem Comida, Sem tetos, e uma infinidade de “sem”, mas isso não dá o direito de qualquer “Sem”, lesar, ferir ou quebrar o contrato social, prejudicando os “Com”, pois não é contra os “Com”, que estes movimentos tem que lutar. Os “Sem” devem se unir a maioria e recompor o Contrato Social, de maneira que tais questões sejam dirimidas e sanadas.

        Não somos sonhadores, reconhecemos que os representantes dos “Sem”, terão uma árdua tarefa pela frente, pois não é fácil a missão da Reforma Agrária, baseada na lei. Porém, em uma Sociedade democrática, o único dispositivo que não coloca em risco o nosso Contrato, são as eleições. Enquanto houver pessoas que se preocupem apenas com os “Com”, vítimas da “Síndrome de Robespierre”, (explicarei o que é esta síndrome, em outo artigo) continuarão por muito tempo sendo minoria e portanto continuarão “Sem”.

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