“Ressonância” – ‘am Meer’ –

artigo 140116

 

Já contemplamos o mar de várias maneiras… Com o coração cheio de vozes e com o coração cheio de silêncios.  Imersos na alegria e embalados na superfície da melancolia. Abraçados, em companhia e, solitários, em pensamento.  Com o olhar da infinitude e de alma serena, e com o olhar ávido, contando o tempo. Amaciados pela nostalgia e enlaçados pela esperança. Na companhia dos sons, passos, pássaros… Na ausência, ecos. Na presença, cantos. Há um mar dentro de nós?

Já percebemos que o som do mar, ora bravio, é também balanço, doçura. Ouvimo-lo querendo a paz de um cochilo no meio de uma tarde primaveril. Ouvimo-lo querendo a força para esbravejar em risos no final de uma tarde de inverno. Ouvimo-lo querendo o refrigério para descansar nas noites de verão. Ouvimo-lo querendo afago nas manhãs do outono…

 

Já percebemos que todas as cores do mar cintilam e permeiam numa incontável paleta de tons verdes, azuis, cinzas e negros… E admiramo-lo querendo a certeza dos dias futuros. Admiramo-lo crendo na beleza dos dias futuros.

 

De tudo que nossos olhos podem ver, não há perfeição que se compare ao movimento do mar… (da vida). Pois, ainda que não exubere nas ondas ou formas, mesmo nos dias claros ou até nos sombrios, há uma vibração que nos atrai e nos ensina: “ressonância”.

É uma “arte” sutil a tal da “ressonância” […]. E me faz pensar no desequilíbrio e na temperança do mundo [fora de nós],… E, há de se comentar… [dentro]?

 

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Há uma “ressonância” nossa sincronizada às vibrações do mundo? E, faz-se necessário redundar nesta conjectura para que entendamos os movimentos nossos? Ah! Sim… Por isso há tanta beleza e tanta feiúra […], por isso há um tempo de silêncio [relativo] e há um tempo de ruído [subjetivo]. O mar esboça simbolicamente as sublimes ondulações e vibrações do “eu-mundo”. A melancolia e a bravura… Com suavidade nas marolas e com brutalidade nas vagas. E a vida não abraça o mesmo embalo?

 

 A vida nos embala por ondas mil! Quantas vezes ‘desmarinhados’? Quantas vezes a submergir? Quantas vezes na “crista” assumindo a postura de um “Big rider”? Quantas vezes “dropando”? Quantas vezes tomando um “caldo”? Quantas vezes na monotonia de um “flat”? Quantas vezes no perfeito “glass”?

 

 Foi-se já e poetas como Pessoa, Rimbaud, Cecília Meirelles poetizaram sobre o dualismo “eu-mar” para exibirem graciosa e inesquecivelmente seus movimentos… Tantos outros mais poetizaram em aforismos sobre a grandeza, a beleza, a imensidão do mar… da vida!

 

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Considerando, pois, as maravilhas que existem entre o céu e a terra, percebo que o dualismo “eu-mundo” revela que somos muito mais do que nós mesmos; o dualismo “eu-mar” revela que nossa vida é incessante em movimentos. O jeito é embarcar na nau e navegar, ou mesmo, “surfar” para que de alguma forma possamos conhecer, desvendar os mistérios dessa grandeza…, afinal: “Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena” (…), já dizia o poeta.

 

E ainda, de tudo que nossos olhos podem ver, não há perfeição que se compare ao movimento da vida… Mesmo que não exubere nas ondas ou cores… Nos dias ensolarados e nos sombrios… Há uma arte que nos atrai e nos ensina: “ressonância”!

 

‘am Meer’.

Aloha.

 

Por: Heloise Lemos

 

 

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