ESPECIAL DIA DA MULHER: Lidia Juliana, Fênix que Pedala

artigo capa 0803

Quando se fala em mulher, logo temos a imagem da guerreira, da mãe protetora, que trabalha fora e ainda encontra tempo pra cuidar da casa e da família. E hoje, no Dia Internacional da Mulher, nossa coluna traz aos leitores amigos uma entrevista especial, o depoimento de uma mulher que podemos realmente chamar de guerreira e que está em perfeitas condições de representar todas as outras mulheres do mundo nesse dia. Uma esportista que venceu uma batalha envolvendo sua vida. Uma guerreira. Uma mulher. Um exemplo de superação.

 

Estamos falando de Lidia Juliana Corrêa, 38 anos, engenheira civil, ciclista, figura conhecida, carismática e querida entre os que pedalam em Joinville, que adotou a bicicleta como um modal em sua vida e hoje atua promovendo a prática do ciclismo na região, no apoio a mulheres que já sabem ou que pretendem começar a pedalar. Participa de diversos grupos de bike, inclusive, do Garuva Bike Club, da cidade de Garuva, onde tem sido um elo de equilíbrio, de motivação e harmonia entre os demais membros do grupo.

 

E antes de ser uma esportista, Lidia é uma mulher como todas, com lutas e desafios em sua vida. No ano de 2010, Lidia foi acometida pelo câncer de mama. Ela teve que retirar um órgão de seu corpo e passar por um tratamento intenso para hoje estar aqui neste dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher, contando tudo o que passou. Sua mastectomia ocorreu no dia 08 de março de 2010, hoje completando 06 anos de sua cirurgia, dia também do aniversário de sua mãe. O universo realmente conspirou nessa data na vida dessa mulher, que encarou o inimigo sem fraquejar. Enfrentou o câncer, a depressão, o medo e muitas surpresas inesperadas. Lidia nos conta que começou a pedalar em 2012 com a ajuda de outros ciclistas mais experientes e hoje compartilha suas histórias e percepções conosco no Mulheres que Pedalam | Especial Dia da Mulher no Espaço de Opinião.

 

artigo capa 0803 a  artigo capa 0803 b

 

Como recebeu a notícia de que estava com câncer?

Fiquei muito triste, é claro! Realmente, não estamos preparados para receber notícias não muito animadoras. Tive o acompanhamento de ótimos médicos – mastologista e oncologista. Mas a incerteza sobre a futura jornada foi algo que surgiu em meu coração. Sabia, desde o início, que este episódio mudaria de vez minha vida, mas eu seria otimista? Seria vítima? Seria valente? Seria aprendiz? Ou desistiria de tudo?

 

E como sua família encarou a notícia?

O apoio dos meus familiares foi decisivo para levantar a cabeça e arregaçar as mangas! E eles estiveram comigo, sempre! Desde o momento do diagnóstico, passando pela cirurgia, no acompanhamento das sessões de fisioterapia e quimioterapia e novamente pelas cirurgias de reconstrução da mama. E os amigos? São a minha energia! Para mim, eles demonstram força e companheirismo! Tive – e ainda tenho! – muitas mãos estendidas para me ajudar em minha caminhada. Se hoje eu superei com alegria e alento o momento mais difícil de minha vida, essa vitória eu devo a minha família e às amizades verdadeiras!

 

 

Quando descobriu a doença, o que você sentiu diante da possibilidade de abandonar seus sonhos, sua rotina de vida saudável, de atividade física? 

Quando você passa por uma dificuldade que lhe exige muito, você começa a se cuidar mais, a ter mais atenção e carinho consigo mesma e percebe que há uma força interna muito grande. Eu aprendi que, mesmo no sofrimento, aprendemos com a vida. E que podemos decidir entre ficar parados e sermos vítimas dos acontecimentos ou ir adiante, e conquistar nossa felicidade. Internamente, meus sentimentos evoluíram, procuro ser uma pessoa melhor, a cada dia. Isso se reflete no meu convívio social, em casa, no trabalho e com os amigos. Fisicamente e mentalmente, busco desafios que me realizem: faço pilates, ando – e muito! – de bike e faço academia. Mas, acima de tudo, estou buscando estar mais próxima de Deus e sempre agradecê-Lo pelo meu aprendizado – que é o que o câncer representa para mim. Ainda continuo em tratamento contra o câncer. Uma vez por mês preciso ir à clínica, em Florianópolis, receber alguns medicamentos via intravenosa e tomo um remédio todo santo dia. Tenho efeitos colaterais, sim, mas não posso reclamar. Afinal, a retomada de minha vida também depende disso, não é mesmo?

 

 

O que você pode dizer a outras mulheres que estão enfrentando a mesma doença?

Nossa vida está muito corrida. Temos muitos compromissos, deveres, obrigações e estamos a mil. Infelizmente, deixamos para trás algo de que jamais deveríamos nos esquecer: nosso bem-estar. Para aquelas, que assim como eu, tiveram sua saúde colocada à prova, reconquistá-la e preservá-la é tudo. E digo que existe sim vida após o diagnóstico de câncer. A medicina evoluiu muito e novos tipos de tratamentos surgiram, fazendo com que o paciente tenha uma sobrevida com qualidade. Não faz muito tempo, as pessoas sofriam mais com as terapias do que com a doença em si. Assim, tendo o diagnóstico precoce, e passando por tratamentos mais direcionados ao caso, a esperança se fortalece e consequentemente nossas atitudes mudam. Ser positivo só depende de você mesmo.

 

LEIA TAMBÉM  Agendamento Biométrico foi prorrogado até dia 31/08- Veja como fazer o seu

 

Esporte, saúde, lazer, mobilidade, economia, sustentabilidade: o ciclismo possui um grande leque de motivações que levam uma pessoa a iniciar a pedalar. No seu caso, como o ciclismo entrou em sua vida, qual foi essa motivação principal que te conduziu à bicicleta e em que ano isso ocorreu?

 

Sempre gostei de andar de bicicleta, só consegui andar pela primeira vez aos 07 anos de idade quando fiz meu pai suar um bocado pra me ver finalmente me equilibrando na Cecizinha. Aí os anos se passaram e a bicicleta ficou um pouco esquecida. No finalzinho de 2011, já morando em Joinville, participei de um pedal promovido pela academia que tinha recém-ingressado. Como precisava retomar minha vida, após uma parada pra cuidar da saúde em 2010, encontrei na bike uma forma de superação pessoal em todos os sentidos: físico, mental e espiritual.

 

 

Frequentemente as mulheres são alvo de piadinhas ou de uma diferença no trato em relação aos homens quando estão dirigindo. E no ciclismo? Você sente algum tipo de exposição ou diferenciação quando pedala? Como você percebe a postura e o trato dos homens ciclistas em relação às mulheres?

 

Desde o meu primeiro pedal, em dezembro de 2011 até agora, sempre fui respeitada e, principalmente, muito incentivada pelos ciclistas homens a continuar pedalando quando os trajetos são mais encorajadores. Destaco, primeiramente, o apoio incondicional de meu marido durante minhas diversas participações ciclísticas. E um amigo ciclista muito especial: o Limas. Foi ele a primeira pessoa a estender sua mão para me ajudar no início desta jornada sobre a bike. E, aos poucos, mais e mais ciclistas foram surgindo em minha vida.  Amigos do bem que me fizeram acreditar que sim, que posso ser forte e vencer os desafios diante de mim.

 

 

Para você, o que significa ser uma mulher ciclista? 

Digo que é ser bela e fera ao mesmo tempo. Sinto-me honrada em poder fazer parte deste universo ciclístico. Apesar de ser ainda um esporte com predomínio masculino, a garra de muitas mulheres ciclistas é algo admirável. De certa maneira, sinto que podemos transferir nossas conquistas sobre a bike para as nossas próprias vidas. Muitas ciclistas que conheço aumentaram sua autoconfiança e isso certamente eleva para todos os aspectos de suas vidas. É emocionante mesmo.

 

O dia a dia ou rotina de uma mulher é mais ou menos complicado quando unido ao ciclismo? 

Quando somos contagiadas pela bike, passamos mais e mais a participar de pedais, encontros e desafios que estão espalhados por aí. Digo que é importante sermos organizadas em nosso lar, para que possamos nos divertir sem problemas no pedal.  Da mesma forma, ter o apoio da família, marido e filhos é de suma importância à mulher.  Temos o nosso instinto de cuidar da família e da casa. Isso já está no DNA feminino. Aliar um momento esportivo junto com os afazeres domésticos e profissionais torna-se um grande desafio à ciclista sim.

 

Você sente que o ciclismo, de alguma forma, contribui física ou psicologicamente para você exercer sua condição de mulher? Se sim, em quais aspectos?

 

Certamente. Como comentei anteriormente, o ciclismo promove uma série de transformações em sua vida, não somente física. Você passa a perder medo de ousar, faz imaginar novas metas em sua vida. E, toda esta disciplina acaba sendo transferida para a sua vida, também. Você passa a ter mais foco e mais disposição de lutar pelo seu sucesso. Aquela morreba enorme que surgiu na sua frente durante um pedal, na verdade pode ser considerada uma dificuldade em sua vida, também.  Fazendo essa analogia, quando conquistamos o cume da montanha através de nossos próprios esforços, a visão que temos lá de cima é sublime. E, como recompensa, vem uma descida radical depois disso tudo, como que nos brindando pela vitória alcançada. Adoro fazer estas comparações das dificuldades e conquistas ciclísticas com o desenrolar da minha vida.

 

Há alguma história pessoal que você tenha vivenciado a partir do ciclismo e que afetou a maneira que você conduz sua vida?

Ao longo destes 04 anos conheci verdadeiros guerreiros no pedal, muitas histórias de superação, cada um de uma maneira única e intensa. São tantas que dariam um livro. Muita gente acha que quem pedala é o cara sarado, marombado, que está com a vida ganha. Mas quando você se permite conhecer um pouquinho da história do ciclista que está pedalando ao seu lado, você agradece a Deus pelos exemplos de vida que Ele está lhe presenteando. São exemplos de superação de uma doença, de uma limitação física ou de uma timidez, a busca de um corpo saudável e de um lazer entre a família. Dentre tantas histórias, destaco a do meu querido amigo Styves Tambosi, que atualmente mora em Jaraguá do Sul. Foi através de sua história que passei a acreditar que tudo é possível quando temos fé em nós mesmos. Entrei em contato com ele pelo Facebook, onde passamos a conversar muito e, ano passado, tive a imensa satisfação em conhecê-lo pessoalmente e a pedalarmos juntos no primeiro pedal Girando com Elas. Sua garra durante suas participações no Desafio Marcio May me fizeram inspirar. E foi com este imenso exemplo de garra guardado em meu coração que em novembro de 2015 participei do 9º Desafio Marcio May, ficando em sexta colocada em minha categoria. Eu pedalei pelo Styves.

 

LEIA TAMBÉM  Procura-se o dono...

Você acha que as mulheres que não pedalam deveriam considerar inserir o uso da bike em  suas vidas? Em caso afirmativo, por quê? Como você acha que a bicicleta poderia beneficiá-las?

Sou da opinião que não somente as mulheres, mas todas as pessoas precisam inserir a atividade física em seu dia-a-dia. Para as mulheres, a prática do ciclismo só lhe traz benefícios. Melhora a circulação sanguínea, diminui as retenções de líquido e todos aqueles indesejáveis efeitos colaterais da TPM, acelera o emagrecimento, tonifica os músculos – principalmente, pernas e glúteos, prevenindo a osteoporose, não é uma atividade de alto impacto, podendo ser praticada em qualquer idade. Além disso, cria-se uma identidade com os grupos de pedal, mistos ou somente femininos, favorecendo a socialização e a confraternização com outras pessoas. Através da bike, a mulher pode se sentir independente, pois ela também é um meio de transporte. Aliás, durante toda a trajetória de luta das mulheres na sociedade moderna, acredita-se que a bicicleta tem grande influência sobre os movimentos feministas. ““Andar de bicicleta fez mais pela emancipação da mulher do que qualquer outra coisa no mundo”, dizia a feminista americana Susan Antony, no final do século XIX.

 

 

Que conselhos você daria a uma mulher que não pedala, mas que deseja começar a pedalar? Você recomendaria a esta mulher buscar apoio de algum grupo exclusivamente feminino? E, se sim, por quais motivos você pensa que os grupos femininos podem ajudá-la?

Diria primeiramente, invista em uma bicicleta. É investimento sim. E não se esqueça dos equipamentos de segurança: capacete, óculos e luvas são muito importantes. Comece aos pouquinhos, respeitando seu condicionamento e, também seus primeiros receios. Se sentir insegura em pedalar nas ruas, muitas cidades possuem um grupo de ciclistas voluntários chamado BikeAnjo (http://bikeanjo.org/) Procure o grupo mais perto de sua casa e não deixe pra depois, aprenda a ter atitudes preventivas de segurança no trânsito. Procure conversar com outros ciclistas durante um pedal em grupo, dificilmente um ciclista experiente lhe negará atenção, pelo contrário, irá lhe incentivar e muito. Sobre as participações em grupos de pedal, antes de ingressar em um pedal, é importante procurar quais são os tipos de pedais que o grupo realiza, este universo ciclístico é imenso de possibilidades. Tem grupos que adoram curtir uma natureza, tomar um banho de rio, caprichar nos cliques. Tem outros em que o objetivo é “socar a bota”, voltados a treinos ou a pedais mais fortes, exigindo um bom condicionamento físico.

Ou seja, tem grupos para todos os gostos e possibilidades. Se em sua cidade existirem grupos femininos de ciclistas (e olha que cada vez mais estes grupos estão surgindo, para nossa alegria), recomendo muito a sua participação. De mulher pra mulher, acabamos nos aproximando, compartilhando experiências, nos fortalecendo. Mas não deixe de pedalar com grupos mistos também. Todos se transformam em uma grande família ciclística. E se eu puder ajudar a incentivá-la a pedalar, entre em contato comigo! Terei o maior carinho em conversar com você. Digo que, quando iniciei minha trajetória no pedal, muitas mãos se estenderam para me ajudar. E assim, se eu puder retribuir tudo de bom que a bike me trouxe, me sentirei muito grata, muito honrada e mais feliz!

Por: Edgar Miranda

{fcomment}

 

 

 

SHARE

1 COMMENT

  1. Se você é como a maioria das mulheres, você está frustrada com os homens, namoros e relacionamentos… E por boas razões.
    Você pode estar pensando coisas como:
    – O que os homens querem em uma mulher?
    – Por que é tão difícil ele falar sobre a relação?
    – O que ele está pensando? (Será que ele realmente me ama?)
    – Por que ele se afastou, e de repente perdeu o interesse?
    – Por que ele não pode apenas me amar e ser fiel?
    Bem, a resposta pode surpreendê-la. Foi definitivamente uma revelação enorme para mim.
    Acabei de terminar de assistir um incrível vídeo que uma famosa coach de relacionamento acabou de publicar:
    ASSISTA: Como REALMENTE conquistar um homem “ http://vejasobre.com/pronta-para-o-romance
    O detalhe oculto por trás da mente masculina foi exposto… O “Detalhe” que explica o que eles *realmente* querem em uma mulher.
    Se você está constantemente frustrada com os homens, e só quer uma conexão real com um homem que te ama de verdade, você precisa assistir a este vídeo: “ http://vejasobre.com/pronta-para-o-romance

    Ou clique no meu nome, para saber mais!!!

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here