ARTIGO: Seres Transformadores

 

De acordo com a Lei da Conservação das Massas, de Lavoiser, na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Então não se pode criar algo assim do nada porque tudo o que se imaginar já existe. É assim que entendemos e aceitamos essa histórica afirmação. E já que não existem cópias perfeitas, não vale a pena mesmo ficarmos tentando criar algo, que será apenas mais uma simples cópia, então partimos logo pra transformação. Mas como fica aquele conceito de criatividade mesmo, de que o ser humano é criativo por natureza? Será que não somos o que pensamos ser?

 

Quando nascemos, já trazemos o rótulo de transformadores. Os pais, quando do nascimento de um filho, dizem que a partir daquele momento, terão outra visão do mundo, com mais responsabilidade e que aquela criança veio ao mundo para mudar suas vidas. E assim começamos nossas carreiras de transformadores. Viramos então a primeira página. Penso que se tudo tem início e fim, nós somos o meio do ciclo. O processo de transformação é verdadeiramente interminável.

 

bogi interna

Lembro de uma frase de um texto que diz que “somos rabiscos e obras primas, transformadores e transformados, a cada dia, a cada piscar de olhos”. Somos como uma casa em reforma ou em construção. Numa linguagem simples, você sabe o que estou afirmando. Quantas vezes você já mexeu nos espaços e divisões de suas construções? Quantas vezes você já retocou ou até precisou derrubar ou refazer algumas paredes de sua casa? Mas a estrutura permanece a mesma, apenas sofrendo algumas alterações internas ou externas. E você continua morando ali, no mesmo lugar de sempre. Eu mudo, refaço, retoco, mas nunca derrubo tudo e não saio daqui. 

 

E lembro também de um livro do Monteiro Lobato: A Reforma da Natureza. Na história desse livro tem um personagem chamado Américo Pisca-Pisca, uma daquelas pessoas que colocam defeito em tudo e acham que o mundo precisa de uma reforma geral. Trata-se de uma fábula, eu sei, mas que retrata com perfeição o que muitas pessoas vivem diariamente. Pessoas que apenas reclamam o tempo todo e nunca apontam uma solução. Certeza que você conhece alguém assim.

 

Américo Pisca-Pisca, de acordo com a fábula, colocava defeito em tudo o que havia na natureza, motivo pelo qual, gostaria de reformá-la.  Num determinado dia, comentou com alguém sobre o fato de um pé de jabuticaba tão grande sustentar frutas tão pequenas enquanto uma abóbora enorme encontrava-se presa ao caule de uma planta rasteira. E, sendo ele o reformador, trocaria as abóboras de lugar com as jabuticabas, porque as abóboras precisariam de troncos resistentes para suportar seu peso. E as jabuticabas poderiam ficar no chão, por serem bem mais leves. Seria esta sua primeira reforma na natureza.

 

Depois dessa observação, decidiu tirar uma soneca por ali mesmo, á sombra da própria jabuticabeira, e acabou por dormir. Dormir e sonhar com um mundo novo reformado por suas mãos. Mas no melhor do sonho, uma jabuticaba cai do galho bem em cima de sua cabeça. Américo despertou e entendeu que o mundo não estava tão mal como ele imaginava. E se fosse uma abóbora que estivesse lá no alto da árvore e caísse em sua cabeça? O próprio reformador teria sido a primeira vítima dessa reforma maluca.

 

Então o resumo da ópera é o seguinte: Se você quer mudar o mundo, procure mudar a si primeiro. Transforme-se e seja essa mudança que tanto deseja. O universo está bem alinhado, em sintonia. O ser humano é que não retira as vendas dos olhos. Transformar é mudar de forma, transformar-se é mudar de atitudes. Acredite que temos potencial, que somos seres transformadores e realizadores. Só assim teremos um mundo melhor.

 

Transforme-se. Mude suas atitudes.

 

Por Edgar Miranda

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