A Vida Entre Poças e Curvas

Artigo escrito por Edgar Miranda

Uma jornalista publicou num site que o ano de 2016 não foi para os fracos e que fomos todos bravos sobreviventes. Estou de acordo com essa afirmação, além de todas as crises e tragédias em diversas partes do mundo, tivemos também nossas dificuldades e dores pessoais. Realmente 2016 não foi um ano para os fracos. Tivemos momentos de retas e de curvas. Mas sobrevivemos.

Pra que servem as curvas que encontramos no caminho, alguém saberia dizer?
Creio que sirvam pra sairmos um pouco das retas, quando a velocidade é muito grande e a confiança nos domina ao extremo. Há momentos em que as retas se tornam absoluta e interminavelmente longas. E esse é o momento de colocarmos o pé no freio. Mas, e quando você encontra poças de água em dias de chuva em meio a curvas e essas curvas ainda são para a esquerda? O que você faz? Simples: Toca pra frente porque a vida é feitas de chuvas, poças e curvas. Pequenos obstáculos absolutamente transponíveis. Esquerda ou direita são apenas detalhes.

Quando você decide sair de casa num dia de chuva, você já imagina o que vem pela frente, por trás, pelos lados e por cima também, principalmente. Sua preparação deve ser total, para um combate em diversas modalidades. Poças serão inevitáveis nesse dia. Você encontrará pessoas atravessando numa faixa segura. Do outro lado, alguém estará passando na calçada, também um ato com segurança. E no centro de tudo, no meio da rua, grupos sairão da reta em direção a curva encarando a poça sem desviar, passando com determinação por dentro do caos. É como ir de encontro ao lobo. Bater de frente com as ondas. Mas lembre-se que no abismo também entra luz, mesmo que de forma reduzida, mas entra.

Se você observar bem, há reflexos dentro das poças, como a reprodução da imagem do céu escuro e também das próprias pessoas que se aproximam das poças tentando atravessá-las. É possível nelas se refletir como se fossem espelhos onde você poderá visualizar antecipadamente os momentos seguintes, calculando assim os riscos de cada passo. Cada passo é uma empreitada que, vamos combinar, parece impossível. Mas você consegue. Só não vá pisar em falso, porque a pista está escorregadia e a queda poderá deixar marcas para sempre.

Você já viu quando alguém atravessa a rua com outra pessoa? Quase sempre alguém atravessa primeiro, daí chega do outro lado e pergunta: Por que você não veio junto? Por que não passou? Vem, pode passar. É que cada um tem o seu modo, seu tempo de travessia. E assim é a vida, cada um sabe o seu potencial, seu grau de dificuldade e sua capacidade de superação. No final todos passamos. De formas diferentes, mas passamos.

E foi assim que passamos o ano que terminou, seguindo retas, entrando em curvas e vencendo as poças que pareciam espelhos, mas que eram poças de verdade. Nem sempre você encontrará os espelhos.

Grande abraço a todos e Feliz 2017. Que ele seja bem leve e generoso para todos nós!

Por Edgar Miranda

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